paramiloidose cientista
Estudo identificou outras variantes da paramiloidose que estão associadas à idade de início do aparecimento dos sintomas

Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) que se dedica ao estudo da polineuropatia amiloidótica familiar (PAF), vulgarmente conhecida como “Doença dos pezinhos” ou paramiloidose, identificou vários fatores de risco no gene responsável pela doença (TTR) que determinam a idade de aparecimento dos sintomas.

O trabalho foi publicado na revista Amyloid e será fundamental para ajudar os clínicos no diagnóstico tardio da doença e na decisão das terapias a seguir.

A paramiloidose é uma doença neurodegenerativa, hereditária e progressivamente debilitante, causada por uma mutação pontual no gene da TTR. Manifesta-se ao atingir o sistema nervoso periférico com sintomas sensorio-motores, levando à morte numa década após o início dos sintomas, se nenhuma intervenção terapêutica for efetuada.

Cada vez mais são diagnosticados casos tardios da paramiloidose

Miguel Alves-Ferreira, primeiro autor deste artigo recém-publicado e investigador no grupo «UnIGENe», explica que há muito tempo que a equipa (liderada pelas investigadoras Carolina Lemos e Alda Sousa) estuda a variabilidade da idade no início dos sintomas da paramiloidose na população portuguesa, recorrendo para isso à maior coleção existente a nível mundial de famílias com a doença (com a Dra. Teresa Coelho no Centro Hospitalar Universitário do Porto – Hospital de Santo António).

«Para além da conhecida mutação no gene da TTR, que causa a doença, identificámos neste trabalho outras variantes que estão associadas à idade de início do aparecimento dos sintomas», adianta Miguel Alves-Ferreira. Ou seja, esclarece, «as variantes dentro da região promotora da paramiloidose podem alterar a expressividade da doença, fazendo com que esta se manifeste de uma forma mais tardia ou precoce».

Em Portugal, a doença foi caracterizada pelo seu início precoce (<40 anos), mas «cada vez mais são diagnosticados casos tardios (≥50 anos), muitas vezes isolados ou descendentes de portadores assintomáticos em idades avançadas, ocorrendo por vezes uma grande antecipação (diminuição da idade de início ao longo das gerações)», sublinha Miguel Alves-Ferreira. «Identificar possíveis causas da variabilidade da idade de início dos sintomas pode revelar mecanismos que ajudem os clínicos a lidar com doentes tardios sem história familiar, mais difíceis de identificar e diagnosticar», acrescenta.

LEIA TAMBÉM: Diabetes tipo 2: estudo do i3S ajuda a desvendar papel do DNA não-codificante

Os resultados subsequentes desta investigação do i3S sublinha o investigador, «podem futuramente ter importantes implicações no aconselhamento genético e serem muito úteis para o seguimento dos portadores da mutação e para o desenvolvimento de novos biomarcadores pré-clínicos para validação das intervenções terapêuticas».

Informações adicionais para órgãos de comunicação social:

Luísa Melo

Communication Unit – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, Universidade do Porto

Telf: +351 220 408 800 Ext. 6208 | E-mail: [email protected]