Campanha arqueológica no Castro do Monte Castêlo prolonga-se um mês

Monte Castro Castêlo é um dos pontos arqueológicos mais importantes do litoral Norte do país. Vestígios e ruínas do tempo do império Romana são alvo da quarta campanha arqueológica que, agora, se prolonga.

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Monte Castro Castêlo

Há dois mil anos, durante o período de ocupação romana, a encosta que vai do Castro do Monte Castêlo ao leito do rio Leça albergou um importante porto comercial, que mantinha contacto com territórios da atual Itália ou do norte de África. Os primeiros vestígios dessa estrutura foram encontrados em 2016, estando a decorrer, até 24 de maio, a quarta campanha de escavações arqueológicas destinadas a desenterrar a memória dessas raízes remotas de Matosinhos.

Escavações arqueológicas no Monte Castro Castêlo
Escavações arqueológicas no Castro do Monte Castêlo

Fruto da colaboração da Câmara Municipal de Matosinhos com o Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (em colaboração com a União de Freguesias de Guifões, Custóias e Leça do Balio e a APDL – Administração do Porto de Leixões), a campanha arqueológica volta a transformar as imediações do Castro do Monte Castêlo num centro de investigação e numa escola prática para os estudantes da licenciatura em Arqueologia.

Os trabalhos no Castro de Guifões, como também é conhecido aquele local, vão dar sequência às escavações realizadas nos anos anteriores, procurando trazer à luz novos vestígios da atividade portuária que terá dado origem a Matosinhos.

Pela importância dos materiais que têm vindo a ser recolhidos, o Castro do Monte Castêlo é um dos sítios arqueológicos mais importantes da região litoral situada entre os rios Douro e Ave. Sob a terra e a vegetação ocultam-se sinais da vida quotidiana das populações que aqui se cruzaram com legionários, comerciantes e marinheiros oriundos de outras províncias do império romano, integrando-se progressivamente num novo espaço económico e político de âmbito europeu.

Estruturas contemporâneas do império Romano, e outras mais antigas,  foram descobertas em Castro do Monte Castêlo, em campanhas arqueológicas anteriores

As escavações efetuadas em 2016, 2017 e 2018 revelaram já diversos muros e estruturas que corresponderiam à existência naquele local de duas casas do tempo do Império Romano, mas também a construções mais antigas. Foram ainda recolhidos numerosos fragmentos de cerâmica e amostras de sementes, os quais têm fornecido indicações preciosas para a reconstituição dos diversos aspetos da vivência quotidiana das populações que habitaram este local há cerca de dois mil anos. A grande quantidade de ânforas encontradas tem, por outro lado, evidenciado a diversidade de contactos comerciais deste porto com zonas tão distantes como a Itália ou o norte de África.

Nos dias 16 e 17 de maio haverá um dia aberto à comunidade, durante o qual os trabalhos arqueológicos poderão ser visitados e acompanhados pela população. O campo vai também ser objeto de visitas guiadas para as escolas do ensino básico e secundário.

Em simultâneo com a realização das escavações continuará patente na Galeria da Biblioteca Municipal Florbela Espanca, até ao dia 25 de maio, a exposição “Memórias do Monte Castêlo: 100 anos do nascimento de Joaquim Neves dos Santos”, dedicada precisamente ao trabalho arqueológico que tem vindo a ser realizado no local da origem remota de Matosinhos, homenageando aquele que foi um dos seus maiores entusiastas.

A exposição reúne documentos pessoais de Joaquim Neves dos Santos, fotografias e imagens dos trabalhos de escavação realizados, assim como um conjunto selecionado de peças que ilustram a diversidade de objetos que marcaram a vida quotidiana destas populações desde a Idade do Ferro ao final do Império Romano.

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