O Jazz no Parque regressa este sábado ao Parque de Serralves com um cartaz totalmente preenchido por algumas das mais importantes referências do jazz feito por portugueses. O projeto GUME do trompetista e compositor Yaw Tembe, de origem suazi, abre o programa da 29ª edição do Jazz no Parque, este sábado, às 18h00.

Num tempo em que o jazz se pratica em teia por todas as geografias, ignorando fronteiras, o facto de o Jazz no Parque optar por um programa inteiramente preenchido por músicos portugueses não surge por adequação ao que hoje se aparenta como possível. Trata-se, isso sim, de cuidarmos dos nossos e de lhes darmos um espaço neste momento particular que vivemos.

Jazz no Parque dá a conhecer três projetos nacionais

Aqui estão três projetos portugueses de altíssima qualidade que vale a pena conhecer na 29ª edição do Jazz no Parque. O primeiro, conduzido pelo trompetista Yaw Tembe, é uma das poucas expressões da directa influência da música africana no jazz nacional. O segundo é uma encomenda de Serralves a um dos mais inspiradores nomes da música criativa portuguesa, Paulo Chagas. O último concerto, Cíntia é uma indicação do que será o jazz no futuro entre nós, com um muito jovem grupo, formado pelo guitarrista Simão Bárcia, pelo teclista Tom Maciel e o baterista Ricardo Oliveira, que está a destacar-se devido às suas invulgares maturidade e riqueza de ideias.

4 de Julho, às 18h00, apresenta GUME de Yaw Tembe, no Ténis do Parque de Serralves

Yaw Tembe: trompete, voz; Francisco Menezes: saxofones, flauta; André David: guitarra; Pedro Monteiro: contrabaixo; Sebastião Bergmann: bateria; David Menezes: percussão + Raquel Lima: voz; Leonor Arnaut: voz; Maria do Mar: violino; Gil Dionísio: violino; Joana Guerra: violoncelo; André Murraças: saxofone tenor

Gume é uma exploração da síncope e da palavra que entrelaça a cultura urbana do Ocidente e a diáspora de África, com referências em Steve Coleman, na Prime Time Band de Ornette Coleman, em Itamar Assumpção e em Lightnin’ Rod, dos Last Poets.

As premissas são as da Afrological Perspective de George Lewis, traduzidas num conceito musical que incorpora na sua cosmologia afro-futurista elementos que podem provir tanto do afrobeat e da rumba cubana como do rara do Haiti ou do umbanda brasileiro. O projeto do trompetista e compositor de origem suazi Yaw Tembe não procura estabelecer sínteses. O que lhe interessa é mesmo o movimento dos contrastes, a colisão de tradições, a polirritmia, o cruzamento de timbres.

“The Deathless Horsie” de Paulo Chagas Bogus Pomp será uma estreia absoluta, marcada para dia 11 de julho, às 18 horas

Paulo Chagas: oboé, flauta, saxofone alto, clarinete baixo; Fernando Simões: trombone; Nuno Rebelo: guitarra; João Madeira: contrabaixo; Mário Rua: bateria

Figura maior da música criativa nacional, com um percurso feito entre o jazz, a livre-improvisação, o rock progressivo e a eletroacústica experimental, o multi-instrumentista e compositor Paulo Chagas estreia nesta ocasião um novo projeto, The Deathless Horsie, para o qual chama instrumentistas com semelhante amplitude de ideias. Um deles é Nuno Rebelo, músico radicado em Barcelona que conhecemos da pop de Mler Ife Dada e da música que escreveu para coreógrafos como Vera Mantero ou João Fiadeiro.

O jazz é o centro de atração e ao mesmo tempo de fuga, numa proposta esteticamente plural e abrangente que acolhe a fragmentação e a contradição e valoriza o questionamento.

O projeto CÍNTIA, em estreia no Porto, sobre ao palco no dia 18 de julho, também pelas 18 horas

Simão Bárcia: guitarra, eletrónica; Tom Maciel: teclados; Ricardo Oliveira: bateria

Banda formada por três nomes da novíssima geração do jazz nacional, ativos também nos domínios da improvisação experimental e da pop alternativa, Cíntia pratica um jazz atendido na aceção mais lata do nome, interiorizando em si elementos de várias músicas, como o funk, o hip-hop, o rock e mais.

Músicos com uma técnica apuradíssima, Bárcia, Maciel e Oliveira têm apenas como enquadramento, de um lado, um lounge todo ele feito de ambiências e subtilezas e, do outro, explosões punk de dramático efeito. Aliando paisagismo e groove, o trio está a ser recebido como uma das maiores surpresas da música portuguesa na atualidade.

Para mais informações e/ou marcações de entrevistas:

Fernando  Rodrigues Pereira
Assessoria de Imprensa / Press Officer Telm. 00 351 925409295
[email protected]

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor introduza o seu comentário
Por favor introduza o seu nome