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Portugal revela uma trajetória de perda no índice de qualidade das elites, sobretudo no quadro da UE

A Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP) e a Universidade de Saint Gallen (Suíça), em colaboração com uma rede internacional de parceiros e instituições académicas, acabam de lançar o Índice de Qualidade das Elites (EQx) 2021, um ranking internacional de economia política que fornece uma visão dos sistemas de elites nacionais e da criação de valor esperada num mundo pós-COVID. 

Entre os 151 países analisados neste estudo (mais 119 do que no EQx 2020), Portugal surge na 28.ª posição, abaixo da média da União Europeia (14.ª posição entre os 25 países avaliados da UE), apresentando melhor posicionamento que outros países do sul e/ou do ex-bloco de leste, mas já ultrapassado pelos países mais dinâmicos deste bloco (Estónia, República Checa, Lituânia e Eslovénia)

Para estes resultados contribuem “a fraca competitividade externa, o elevado nível de endividamento, a estrutura de especialização em atividades vocacionadas para mercado interno e a péssima qualidade institucional”, destacam os Professores da FEP e investigadores do CEF.UP Cláudia Ribeiro e Óscar Afonso, responsáveis pelo estudo a nível nacional. 

O índice baseia-se em 107 indicadores (mais 35 do que o relatório anterior) e em quatro áreas conceptuais – poder económico, valor económico, poder político e valor político – categorizando as elites em “muito alta qualidade” (posição de 1 a 10), “elites de alta qualidade” (posição de 11 a 25), “elites de qualidade” (posição de 26 a 75), “elites de qualidade média” (posição de 76 a 124) e “elites atrasadas” (posição superior a 125). 

Disparidades significativas na classificação de Portugal no índice sobre a qualidade das elites

A classificação obtida por Portugal de “elite de qualidade” revela disparidades significativas ao nível dos quatro sub-índices, sendo o desempenho melhor ao nível do poder económico (8ª posição) e pior ao nível do valor económico (54ª posição). Com posições intermédias apresenta-se o poder político (19ª posição) e o respetivo valor (30ª posição). 

“Estes resultados estão em linha com o esperado por se tratar de uma pequena economia aberta ao exterior e sujeita à observação de algum Investimento Direto Estrangeiro. O número de grandes empresas é, contudo, diminuto, contribuindo para que o poder económico não esteja muito concentrado. Há ainda a salientar o enorme peso da dívida publica no PIB, que representa uma forte extração de valor das gerações futuras de contribuintes”, destacam os Professores da FEP. 

Em termos políticos enfatizam-se as significativas disparidades regionais, nomeadamente a “baixa qualidade dos serviços públicos, o fraco acesso à internet, a fraca promoção da equidade em geral e o grau de fatalidade associado à Covid”.

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Portugal revela uma trajetória de perda, sobretudo no quadro da UE, sendo preocupante a posição manifestada em certos indicadores – em particular desigualdade territorial, peso da dívida pública, baixa produtividade e desemprego jovem – que, em conjunto, revelam um quadro de instituições que carece de melhorias significativas”, destacam Cláudia Ribeiro e Óscar Afonso. 

Classificações globais proporcionam uma visão do futuro das sociedades

Singapura ocupa o primeiro lugar no ranking geral, afirmando-se como a cidade-estado cujas elites empresariais mais valor criam no mundo, seguindo-se a Suíça (2º) e o Reino Unido (3º). Por sua vez os EUA mantêm a sua posição (5º) e a Alemanha cai do 3º lugar em 2020 para o 15º em 2021. Já Israel obteve os maiores ganhos no EQx2021, subindo a classificação global para 7º lugar. 

“Uma dimensão fundamental na atualidade é o desempenho das elites em relação à gestão da pandemia da COVID-19. No EQx2021 constata-se que elites de maior qualidade como Singapura (1º), Suíça (2º), Israel (7º), Noruega (8º) ou Nova Zelândia (13º) têm sido mais capazes de proteger o seu país dos impactos sanitários e económicos da COVID-19”, destacam os Professores da FEP. 

A China (26º) destaca-se com uma pontuação EQx tão elevada como a das nações avançadas, acompanhada por uma riqueza per capita três vezes superior. “No período pós-COVID, a criação de valor pelas suas elites irá impulsionar o crescimento da China e do mundo, durante pelo menos uma década, se não mais”, concluem os Professores da FEP

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As pontuações comparativas dos países e as classificações globais proporcionam uma visão do futuro das sociedades, sendo o EQx concebido para funcionar como um recurso para os líderes empresariais e políticos compreenderem como as suas ações afetam a sociedade em geral. 

O Índice está disponível em www.elitequality.org, e pode ser seguido no Facebook, LinkedIn e Twitter.

Para mais informação contactar: 

Ana Duarte

Faculdade de Economia da Universidade do Porto

Gabinete de Marketing e Comunicação

FONTEFaculdade de Economia da Universidade do Porto
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