
A propósito da celebração do Dia Internacional da Mulher, a ConsumerChoice divulga os resultados do seu mais recente estudo sobre Igualdade de Género e Perceções na Sociedade Portuguesa. As conclusões demonstram uma visão maioritariamente crítica em relação ao atual nível de igualdade entre mulheres e homens em Portugal, bem como à atuação das empresas nesta temática.
De um modo geral, a perceção sobre o nível de igualdade entre mulheres e homens em Portugal situa-se numa posição negativa a intermédia. A maioria dos inquiridos classifica-o como muito baixo (41%), enquanto 33% considera que o nível é médio. Por outro lado, 18% dos entrevistados classificam o nível de igualdade como elevado e apenas 8% como muito elevado. Resultados que mostram que, apesar de serem reconhecidos alguns progressos, parte significativa da população entende que o país ainda tem um caminho relevante a percorrer na promoção de uma igualdade plena e efetiva.
“A história da evolução da mulher na sociedade é também a história da evolução da própria sociedade. Cada lugar conquistado, cada oportunidade criada e cada barreira ultrapassada representa, não apenas um avanço para as mulheres, mas também um progresso coletivo. Os resultados deste estudo mostram que os consumidores reconhecem esse caminho e valorizam cada vez mais contextos onde talento, mérito e oportunidade têm espaço para crescer, independentemente do género”, afirma Nassrin Majid, Diretora-Geral da ConsumerChoice.
Grande parte dos participantes (62%) afirma não ter sentido ou presenciado qualquer tipo de situações de desigualdade de género. Contudo, 28% refere já ter vivido ou observado esse tipo de experiências, nomeadamente no contexto profissional, em que são destacadas as diferenças salariais entre homens e mulheres que ocupam funções semelhantes, o menor acesso das mulheres a promoções e cargos de liderança e as dificuldades na gestão da vida profissional e familiar.
Relativamente à evolução da igualdade de género nos últimos cinco anos, 63% dos participantes considera que a situação se manteve igual. Ainda assim, 30% considera que o país registou progressos e 7% acredita que houve um retrocesso. Entre as justificações mencionadas, destacam-se os avanços graduais, sobretudo ao nível legislativo, da modernização social e do aumento de oportunidades para as mulheres, sobretudo no acesso a cargos de liderança.
No que diz respeito ao papel das organizações, 53% discorda da afirmação de que “as empresas em Portugal estão a adotar práticas cada vez mais adequadas para promover a igualdade de género”. Cerca de 29% assume uma posição neutra e somente 19% concorda com esta declaração. Embora seja assinalado que algumas empresas têm implementado políticas específicas, muitos participantes consideram que os progressos são moderados e desiguais, indicando lacunas na aplicação prática das medidas, especialmente em questões como a igualdade salarial e o acesso a cargos de liderança.
Quanto à perceção geracional, os resultados mostram-se divididos, 40% dos inquiridos discorda que as gerações mais jovens tenham uma visão mais igualitária sobre o papel das mulheres e dos homens na sociedade. 30% mantem uma posição neutra e os restantes 30% concorda com esta declaração. Isto revela que existe alguma evolução geracional por parte dos participantes, apesar de ainda persistir uma perceção significativa de que essa mudança poderá não ser tão expressiva ou generalizada quanto seria expectável.
Quando questionados sobre qual a principal medida para acelerar a igualdade de género na sociedade portuguesa, os inquiridos destacam a maior partilha das licenças parentais (30%), evidenciando a importância da redistribuição das responsabilidades familiares. Seguem-se a educação para a igualdade desde a escola (22%) e a igualdade salarial entre géneros (21%), reforçando assim a necessidade de intervenção tanto ao nível estrutural como cultural.
Sobre o Estudo
Este questionário foi respondido por 717 portugueses, 52% de pessoas do sexo masculino e 48% do feminino. Quanto às idades compreendidas dos inquiridos: a faixa etária de 35 a 44 anos representa 22% dos participantes, 21% tem entre 26 a 34 anos e 15% têm entre 18 a 25 anos. Os consumidores a partir dos 44 anos correspondem a 42%. A maioria dos participantes está localizada na região do Norte (24%), Centro (22%) e Grande Porto (9%). A restante percentagem encontra-se distribuída em outros pontos do país. A ConsumerChoice é plenamente e unicamente responsável pela integridade e precisão dos dados obtidos.
Para mais informações
Sara Franco
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