COVID-19: aposta na “One Health” teria evitado propagação

Presidente do Congresso Internacional Veterinário diz que surto de coronavírus era evitável.

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Pensamento integrado da saúde humana e animal teria sido suficiente para evitar a crise do COVID-19, diz Luís Montenegro, médico veterinário e presidente do Congresso Internacional Veterinário Montenegro

“A prática generalizada da ‘One Health’ teria sido suficiente para evitar a crise que estamos a viver com o COVID-19 ou, pelo menos, teria evitado que este coronavírus tivesse um impacto tão grande”. A garantia é de Luís Montenegro, médico veterinário e presidente do XVI Congresso Internacional Veterinário Montenegro, que decorre de 20 a 22 de fevereiro em Santa Maria da Feira.

Luís Montenegro recorda que a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) tem vindo a defender esta interdisciplinaridade entre a saúde humana, animal e ambiental. “É fundamental, como desafia a OMS, criar uma abordagem que nos permita projetar e implementar programas, políticas, legislação e pesquisa nas quais as várias disciplinas comunicam e trabalham em conjunto para alcançar melhores resultados de saúde pública”, sustenta.

Saliente-se que a OMS, em particular na última década, tem trabalho com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação e com a Organização Mundial da Saúde Animal para promover respostas multissetoriais aos riscos de segurança alimentar, riscos de zoonoses e outras ameaças à saúde pública nos interface animal-ecossistema, como é o caso do COVID-19, e fornecer orientações sobre como reduzir esses riscos.

COVID-19 encontrou no mercado de peixe de Wuhan condições ideais para propagação

No entender deste responsável, “o mercado de peixe de Wuhan, na China, onde se acredita que a propagação do coronavírus [COVID-19] terá ganho maior expressão, tinha condições propícias para infectar o Homem”. “O mercado tem sido retratado como um local sem o mínimo de salubridade e de higiene, a que se junta uma convivência muito próxima entre o Homem, animais vivos e animais mortos”, explica Luís Montenegro. “Neste cenário, bastava haver alguns animais infectados para, com muita facilidade, contaminar uma pessoa”, explica.

“Toda esta situação não tem início na China por acaso. Trata-se de um país que tem os condimentos ideais, desde logo um fraco controlo sanitário dos animais selvagens e domésticos”, salienta Luís Montenegro.

A partir do momento em que ocorre a transmissão do COVID-19 para um Homem, frisa o também director clínico do Hospital Veterinário Montenegro, “a propagação tornou-se muito mais rápida e simples, contribuindo para que estejamos a falar de um vírus que já afetou mais de 70 mil pessoas e matou quase 1900 pessoas segundo os dados mais recentes”.

Sala “One Health” pensa saúde de forma integrada

É com essa ideia em mente que o Congresso Internacional Veterinário Montenegro aposta este ano num espaço inovador: a sala “One Health”, que será dedicada ao pensamento integrado da saúde animal, ambiental e humana. “Vai funcionar nos dias 21 e 22 de fevereiro e irá abordar temáticas como a tuberculose no Homem e nos animais, a resistência a antibióticos e o papel dos animais selvagens como reservatórios”, explica Luís Montenegro.

Subordinado ao tema da Inovação e Desenvolvimento, o congresso conta com a presença de reputados médicos veterinários internacionais, entre eles Massimo Petazzoni, responsável pelo implante de próteses biomecânicas, semelhantes às usadas por atletas paralímpicos, num gato. “Iremos ter ainda o Ronaldo da Costa, que é considerado o maior neurologista veterinário do mundo e foi eleito o melhor professor da Universidade de Ohio”, adianta Luís Montenegro.

O XVI Congresso Internacional Veterinário Montenegro realiza-se, no Europarque, em Santa Maria da Feira, entre os dias 20 e 22 de fevereiro de 2020. A organização espera ultrapassar os 1300 médicos veterinários, 300 estudantes de Medicina Veterinária e os 500 enfermeiros e estudantes de Enfermagem Veterinária que participaram na edição de 2019.

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