a cidade maquete

Numa tarde quente, de calor opressivo, chega a Vila Nova para começar um novo trabalho no Gabinete. Terra nova para ele, terra nova em si mesma visto ter sido construída de raiz, obedecendo a um desígnio imperial. Desígnio interrompido e nunca acontecido.” Assim começa o livro “A Cidade Maquete” do escritor João Vieira, que foi apresentado dia 17 de julho, na Biblioteca Municipal Manuel José “do Tojal”, em Vila Nova de Santo André. A apresentação teve o enquadramento histórico do Professor João Madeira, e contou com a presença do Vereador Albano Pereira.

“A Cidade Maquete”, em que a história se faz de pessoas…

O autor reinventou a vida de Vila Nova de Santo André e inspirou-se na cidade para escrever o seu romance de ficção. Os bairros e os nomes destes são reais, as personagens saíram da imaginação de João Vieira. “Quando visitei a cidade há dois anos, tive logo a ideia de escrever o livro“, explicando que ficou “preso” à história desta cidade, a única construída de raiz em pleno século XX, durante o Estado Novo. João Vieira recorda os relatos que ouviu que “na altura da construção de Vila Nova de Santo André os técnicos tinham grandes preocupações sobre como seria possível criar uma cidade sem história, o que me levou a pensar sobre como é que isso foi possível e acabei por concluir que a história desta cidade são as pessoas.”

Para o escritor a cidade, sempre chamada de Vila Nova no livro, “acaba por ser a terra prometida, aquela terra que desde sempre todos procuramos, onde desaguam os nossos sonhos e fantasias. Aquela terra que nos permite sermos nós próprios, sem abandonarmos os nossos sonhos. Aquela terra que apazigua as nossas mágoas. Uma espécie de porto seguro, um destino que não se procura, mas que se encontra. Todos nós, quando nos sentimos mais ou menos desesperados, reparamos que falta alguma coisa essencial como o conforto. Acontece a todos. O céu de Vila Nova é como um toldo que protege.

A Cidade Maquete” é também sobre um desígnio de um complexo industrial, de uma revolução, do fim da guerra colonial e de todos os que voltaram ao seu país. Sendo, mais do que tudo, uma maquete humana.

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Para mais informações

Gisela Benjamim

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FONTECâmara municipal de Santiago do Cacém
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