concerto em serralves

No contexto da primeira exposição em Portugal da artista sonora alemã, Christina Kubisch, foi organizado um programa público onde se incluem visitas orientadas e um concerto em Serralves que reúne a apresentação das peças de Emergency Solos – solos de flauta de 1974 que são uma referência histórica no trabalho de Kubisch e na performance musical -, e de duas peças eletroacústicas recentes: Nine Magnetic Places e Wien Landstraße – um encontro entre um quarteto de cordas e gravações de campo eletromagnéticas.

Programa:

·         Emergency Solos (1974/75), com Clara Saleiro (flauta).

·         Nine Magnetic Places (1917) para sons eletromagnéticos.

·         Wien Landstraße (1916/17), para quarteto de cordas e sons eletromagnéticos, com Mariana Moita (violino), Francisco Lourenço (viola), Gonçalo Lélis (violoncelo), Jorge Paredes (contrabaixo)  .

Um concerto em Serralves que “estilhaça” convenções

Emergency Solos, é uma série de recitais criada por Christina Kubisch entre 1974 e 1975 após ter terminado os estudos em flauta. Estas peças envolvem, por exemplo, tocar a flauta com luvas de boxe, máscara de gás, preservativo e dedais.

Podemos ler Emergency Solos como uma rutura pessoal da artista com as convenções que ditavam o que um compositor e um músico deveriam ser e produzir de acordo com a linhagem ocidental da música clássica e os cânones das vanguardas que dela emergiram. Os objetos usados e o facto de Kubisch então interpretar ela própria as peças revelavam uma urgência pessoal em desafiar a dominância masculina. Estas peças estavam claramente enquadradas pelas convenções dos concertos de música para nelas inscreverem um posicionamento crítico, com um toque de ironia. Ainda assim, Emergency Solos escapam a categorizações disciplinares. Se, por um lado, estão ligadas à música, por outro encontramos neles referências à performance art, e também a produção de imagens e uma abordagem escultórica ao instrumento que nos remetem para as artes visuais. Este posicionamento entre disciplinas será amplamente explorado por Kubisch e é também uma característica do campo heterogéneo e movediço a que se chama Arte Sonora, do qual Kubisch é considerada uma pioneira.

Verificamos ainda que estes solos apresentam alguns traços singulares que podemos perceber como embrionários de uma continuada exploração da performatividade. Desde logo, o sublinhar de uma dimensão sensorial e sensual, que aqui aparece ligada à abordagem ao instrumento e à escuta, e que vemos aprofundada na experiência que as suas instalações e passeios sonoros propõem aos visitantes e ouvintes. A integração da audiência na obra é um outro aspeto que importa destacar. O confronto com o público faz parte integral de Emergency Solos, tal como as decisões e movimentos do público o são no caso de instalações como A Estufa que, presentemente, podemos visitar em Serralves.

Nos anos 1980, Christina Kubisch abandonou os palcos passando a dedicar-se principalmente ao trabalho com instalações sonoras. O regresso aos concertos faz-se mais recentemente, mas sem se colocar no palco. Surge por via de uma ênfase na dimensão musical possibilitada pelas inúmeras gravações de campo realizadas em incursões pelo mundo das ondas eletromagnéticas munida dos seus auscultadores especiais que lhe permitem o acesso, por via de tecnologia por si desenvolvida, a um mundo sonoro criado por sistemas de luz, sistemas de comunicação sem fio, radares, dispositivos de segurança, câmaras de vigilância, telemóveis, computadores, sistemas de navegação, caixas multibanco, neons publicitários, etc.. Todos produzem campos eletromagnéticos que, apesar de invisíveis, têm uma ampla presença nas nossas vidas.

Estes sons são mais musicais do que se poderia esperar. Formam camadas complexas de altas e baixas frequências, loops de sequências rítmicas, grupos de pequenos sinais, longos drones, entre vários outros sons difíceis de descrever. Alguns são parecidos em todo o mundo. Outros são específicos de uma cidade ou país e não se encontram noutros lugares e chegam agora ao Porto, com este concerto em Serralves.

Para além de integrarem algumas instalações de Kubisch, estes sons são base para composições editadas em disco (Five Electrical Walks (2007), Magnetic Flights (2011) ou Tesla’s Dream (2017), entre outros) e apresentadas ao vivo em espacializações eletroacústicas. É o caso de Nine Magnetic Places e de Wien Landstraße. Neste último trabalho,, os sons eletromagnéticos foram gravados por Kubisch na estação de metro subterrânea de Viena com o mesmo nome. Nesta peça, paisagens sonoras deste lugar (muito diferentes das que ouvimos numa estação de metro apenas com os nossos ouvidos) encontram um quarteto de cordas que toca uma composição baseada em fragmentos de gravações de peças da compositora Carola Bauckholt. É um encontro estranho, com tensões e harmonias que surgem entre estas duas realidades: a da performance musical nos instrumentos acústicos de cordas e a do mundo sonoro eletromagnético.

Para mais informações

Fernando  Rodrigues Pereira
Assessoria de Imprensa / Press Officer Telm. 00 351 925409295
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FONTESerralves
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