Início Saúde Saúde mental: 54% dos portugueses apresenta níveis elevados de sofrimento psicológico

Saúde mental: 54% dos portugueses apresenta níveis elevados de sofrimento psicológico

Ansiedade na origem de 72,9% das consultas de saúde mental. Jovens dos 18 aos 24 anos (88,9%) e mulheres registam valores mais elevados (86,8%), face aos homens (58.3%).

Questionário sobre saúde mental foi respondido por 683 portugueses

Mais de metade dos portugueses (53,6%) apresenta níveis elevados de sofrimento psicológico, mas 63,4% considera que o seu estado de saúde mental é bom ou muito bom. Este contraste é uma das principais conclusões do novo estudo realizado pela ConsumerChoice em Portugal e que aplicou a Kessler Psychological Distress Scale (K10), escala de 10 perguntas utilizada para avaliar o nível de sofrimento psicológico das pessoas.

A análise procurou compreender ainda a perceção dos inquiridos em relação ao recurso a acompanhamento especializado, os fatores que influenciam o bem-estar psicológico e a perceção de estigma associada à saúde mental.

Apesar dos níveis de sofrimento psicológico identificados, a maioria dos entrevistados (72,1%) considera que asua saúde mental está melhor ou igual à do período homólogo. Entre os fatores associados a uma perceção de melhoria estão as melhores condições de trabalho (22,2%) e uma melhor condição financeira (23,3%).

A dimensão económica surge, contudo, também como uma das principais fontes de pressão: a situação financeira e o custo de vida são apontados por 47,5% dos participantes como o motivo que mais contribui negativamente para a sua saúde mental.

“Há um dado neste estudo que merece particular atenção. Podemos acreditar que estamos bem e, ainda assim, estar a acumular níveis significativos de sofrimento psicológico. Esse contraste mostra que falar de saúde mental não pode limitar-se à forma como cada pessoa avalia o seu próprio estado. A ansiedade, sobretudo entre os mais jovens e as mulheres, e o peso crescente das preocupações financeiras mostram-nos também que o bem-estar psicológico não acontece de forma isolada e é profundamente influenciado pelas condições em que vivemos, trabalhamos e gerimos o nosso dia a dia. Mais do que normalizar a conversa sobre saúde mental, precisamos de criar condições para que pedir apoio seja também normal”, refere Nassrin Majid, Diretora-Geral da ConsumerChoice.

Mais de metade nunca recorreu a um profissional de saúde mental

O estudo indica também que 54,3% nunca recorreu a um profissional relacionado com a saúde mental. Entre aqueles que já procuraram este tipo de acompanhamento, 31% fizeram-no há cerca de um ano e 23% há mais de um ano, mostrando que este recurso tende a ocorrer com alguma distância temporal.

Quando questionados sobre quais os motivos da última ida ao médico, as consultas de rotina ou prevenção surgem em primeiro lugar, com 46,6% das respostas. Se forem consideradas as consultas para renovação de receitas ou realização de exames, este valor sobe para 67,8%.  Já as idas ao médico motivadas por doenças/perturbações do foro mental representam 12% das respostas.

A ansiedade destaca-se como o principal motivo para a marcação de consultas relacionadas com a saúde mental (72,9%). Este fenómeno assume particular expressão entre os mais jovens, com 88,9% dos participantes entre os 18 e os 24 anos a identificar a ansiedade como motivo para procurar este tipo de acompanhamento. No caso das mulheres, a percentagem chega aos 86,8%, face aos homens que apresentam valores de ansiedade muito inferiores (58.3%).

Por fim, o estudo revela que o recurso a acompanhamento especializado continua a depender sobretudo da iniciativa dos próprios indivíduos, num contexto em que persistem sinais de estigma associados à procura de apoio psicológico – cerca de 63% aponta que ainda há um certo preconceito em receber acompanhamento psicológico.

É importante salientar que este questionário não consiste num diagnóstico clínico, funcionando somente como um indicador do estado psicológico dos inquiridos.

Sobre o estudo:

Este questionário foi respondido por 683 portugueses, 55% de pessoas do sexo masculino e 45% do feminino. Quanto às idades compreendidas dos inquiridos: a faixa etária com maior representação é dos 35 a 44 anos (28%) e dos 45 a 54 anos (22%). A maioria dos participantes está localizada no Norte (38%), na Grande Lisboa (28%) e na região Centro do país (21%). A restante percentagem encontra-se distribuída em outros pontos de Portugal. A ConsumerChoice é plenamente e unicamente responsável pela integridade e precisão dos dados obtidos.

Este estudo faz parte da atividade regular de investigação de mercado desenvolvida pela ConsumerChoice, que acompanha continuamente as tendências de consumo em Portugal através de estudos realizados sobre diferentes setores e temáticas. Esta abordagem permite monitorizar a evolução dos comportamentos dos consumidores ao longo do tempo e produzir informação comparável, relevante e sustentada para marcas, empresas e meios de comunicação.

Sobre a ConsumerChoice:

A ConsumerChoice desenvolve em Portugal os sistemas de avaliação Escolha do Consumidor, Escolha dos Profissionais, Escolha Sustentável, Quality Award, Best Tech Experience, Best Work Experience e Boa Escolha, sendo líder de mercado neste sector de sistemas de avaliação por consumidores.

A Escolha do Consumidor e Escolha dos Profissionais são os únicos sistemas de avaliação de marcas com certificação ISO 9001 em gestão de qualidade.

A Escolha do Consumidor lidera todos os índices (notoriedade, credibilidade, isenção e transparência e motivação de compra) junto dos consumidores portugueses (estudos NetSonda e CINT, fevereiro de 2026), com 99% de notoriedade.

Gabinete de Imprensa:

Sara Franco

Communication Consultant – Taylor

E-mail: sarafranco@taylor365.pt

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