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Regulação do apetite: cientistas descobrem que recetor envolvido na função também controla a memória

Nas experiências realizadas, quando a atividade constitutiva do recetor da hormona responsável pela regulação do apetite foi bloqueada observaram-se alterações na memória dos animais em estudo.

Estudo sobre a hormona responsável pela regulação do apetite foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e o programa BrainHealth 2020

Um estudo internacional liderado pela Universidade de Coimbra (UC) revela que o recetor da grelina, uma hormona responsável pela regulação do apetite, assume um papel muito importante na interligação dos sinais biológicos de fome, saciedade e memória.

Liderado por Ana Luísa Carvalho, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), e por Luís Ribeiro, do CNC, o estudo acaba de ser publicado na revista Science Signaling. A equipa integra outros investigadores do CNC (Mário Carvalho e Tatiana Catarino são também autores principais do estudo) e ainda do Centro de Biologia Molecular “Severo-Ochoa” e Universidade Autónoma de Madrid (Espanha) e do Instituto Interdisciplinar para a Neurociência da Universidade de Bordéus (França).

Com o objetivo de compreender em que medida as hormonas com uma função no metabolismo (na regulação do apetite) gerem também a função sináptica (que assegura a comunicação entre neurónios essencial à formação de memórias), este trabalho científico consistiu em investigar «se, na ausência da hormona estimuladora, a atividade constitutiva (basal) do recetor da grelina é relevante para a formação de memórias, e se tem impacto nos mecanismos moleculares envolvidos nessa formação», indica Ana Luísa Carvalho.

Ou seja, simplifica a docente e investigadora, sabendo-se que este recetor poderia ter alguma atividade na ausência da hormona, «a designada atividade constitutiva, que é regulada, por exemplo, pelo nível de saciedade do indivíduo, a nossa investigação centrou-se em observar essa atividade em neurónios, o que nunca tinha sido realizado até agora, e em perceber a sua relevância para os mecanismos moleculares de formação de memórias».

Bloqueio na hormona responsável pela regulação do apetite afetou a formação de memórias

Combinando metodologias in vitro e in vivo, onde se incluem estudos de comportamento animal (estudo com murganhos), estudos de imagiologia celular (por exemplo, análises em células vivas de mobilidade intracelular de moléculas) e estudos bioquímicos, os cientistas descobriram que «a atividade constitutiva do recetor da grelina [hormona responsável pela regulação do apetite] em neurónios do hipocampo é significativa, e que contribui para a regulação tónica do tráfego celular de recetores do glutamato do tipo AMPA e para os mecanismos de plasticidade sináptica, e que suporta a formação de memórias», afirma a coordenadora do estudo.

«Nas experiências realizadas, quando a atividade constitutiva do recetor da grelina foi bloqueada observaram-se alterações na memória dos animais», salienta.

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Este estudo «identifica a atividade basal de um recetor membranar (cujos níveis e atividade são dependentes do estado interno do indivíduo) como reguladora da formação de memórias. O recetor em causa – o recetor da grelina – tem os seus níveis e atividade basal regulados pelo estado de saciedade do indivíduo, e nós verificámos que essa atividade é importante na capacidade de formar novas memórias e nos mecanismos subjacentes. Fármacos que bloqueiam a atividade constitutiva do recetor são considerados possibilidades terapêuticas em algumas doenças metabólicas, por exemplo, mas é importante ter em conta que poderão ter efeitos secundários ao nível da memória», esclarece a docente da FCTUC e investigadora do CNC.

O estudo sobre a hormona responsável pela regulação do apetite foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional através do programa BrainHealth 2020.

Informações adicionais para órgãos de comunicação social:

Cristina Pinto

Assessoria de Imprensa – Universidade de Coimbra • Reitoria

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