lupus no rim cientistas
A equipa de investigadores: descoberta pode originar novas terapêuticas para quem padece de lúpus no rim

Uma equipa liderada pelo Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) descobriu uma assinatura molecular única em doentes com Lupus Eritematoso Sistémico (LES) com capacidade de funcionar como um novo biomarcador da doença. Esta descoberta, publicada na revista oficial do Colégio Americano de Reumatologia, a Arthritis and Rheumatology, permitirá saber com antecedência como irá evoluir o lúpus no rim e agir atempadamente, evitando assim situações mais graves, como a perda progressiva e irreversível da função do órgão.

O grupo de investigadores, liderado por Salomé Pinho, do i3S, em colaboração com o Centro Hospitalar e Universitário do Porto (CHUP) e com o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), recorreu a amostras de rim de doentes com LES, e que tinham o rim afetado (glomerulonefrite/nefrite lúpica), e identificou uma composição de estruturas de açúcares (glicanos) incomum.

Os investigadores mostraram que essa expressão anómala de glicanos à superfície das células do rim destes doentes parece ser uma peça fundamental para um reconhecimento anómalo por parte do sistema imune, desencadeando uma resposta inflamatória exacerbada no rim, que caracteriza o lúpus no rim (uma doença autoimune).

Descoberta pode originar novas terapêuticas para quem padece de lúpus no rim

Para António Marinho, médico no serviço de Imunologia Clínica do CHUP e colaborador neste estudo, “a identificação de um biomarcador com aplicação clínica no prognóstico de doentes com nefrite lúpica é uma mais-valia na identificação precoce de doentes com maior risco de má resposta e de progressão para doença renal crónica terminal. Isso permitirá adaptar novos esquemas terapêuticos de indução e manutenção que permitam um melhor desfecho”, para quem tem lúpus no rim.

“O facto de termos descoberto que as células renais de doentes com nefrite lúpica apresentam açúcares anormais à superfície sugere a identificação de um novo mecanismo que contribui para a perda de tolerância imunológica levando ao reconhecimento como “não-próprio” desse tecido», acrescenta Inês Alves, primeira autora do artigo. «A presença desta glicosilação aberrante tem ainda a capacidade de predizer um mau prognóstico da nefrite lúpica, o que poderá ser essencial na decisão e monitorização clínica e terapêutica destes doentes”, acrescenta.

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Para chegar a estas conclusões, a equipa liderada por Salomé Pinho, que coordena o grupo “Immunology, Cancer & GlycoMedicine”, contou também com a colaboração de um centro de investigação holandês que fez a caracterização estrutural destes açúcares nas biópsias de rim de doentes com LES do CHUP e do CHUC utilizando técnicas avançadas de espetrometria de massa. «Também comparámos as alterações de glicanos presentes noutras doenças auto-imunes que podem atingir o rim, nomeadamente a diabetes tipo 2 e a amiloidose, e verificámos que se trata de uma assinatura única da nefrite lúpica». 

Nefrite lúpica afeta até 60% dos doentes e pode evoluir para terminal em 25% dos casos

A investigadora explica que «as alterações na glicosilação de proteínas são uma marca/característica das doenças autoimunes e também do cancro. Os glicanos são reguladores chave da resposta inflamatória. E como tal, quando esses glicanos se encontram alterados na célula (quando são diferentes), dão indicações/instruções ao sistema imunitário para combater a célula/o órgão, desencadeando uma reação autoimune. São, por isso, potenciais biomarcadores com valor prognóstico e promissores alvos terapêuticos”.

O LES é uma doença autoimune debilitante que atinge principalmente (mulheres) jovens, no seu período ativo de vida, tendo um impacto negativo na qualidade de vida dos doentes. O LES caracteriza-se por uma perda global da tolerância imunológica, com produção de autoanticorpos que podem levar à inflamação e lesão de múltiplos órgãos. A nefrite lúpica (lúpus no rim) é uma das manifestações clínicas mais comuns e graves do LES, afetando até 60% dos doentes, podendo evoluir para doença renal crónica ou doença renal terminal em cerca de 25% dos doentes.

As evidências sugerem que fatores genéticos e ambientais contribuem para o desenvolvimento do LES, contudo o mecanismo exato subjacente à disfunção imunológica permanece por esclarecer e a doença continua incurável.

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Este estudo contribui para o desvendar de um novo biomarcador da doença, potencialmente associado à perda de auto-tolerância, demonstrando ter aplicações prognósticas no desenvolvimento de doença complicada/doença renal crónica.

Informações adicionais para órgãos de comunicação social:

Luísa Melo

Unidade de Comunicação do i3S – Instituto de Investigação e Inovação em Saúde

[email protected]

FONTEi3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto
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